segunda-feira, novembro 05, 2012

Um esclarecimento:


Ao contrario do que se pensa, as pessoas como eu estão satisfeitas com as condenações por corrupção. 

Sempre votei no Lula, votei na Dilma e nunca me arrependi. Não me decepcionei com as evidencias de corrupção porque nunca acreditei que o PT fosse um "partido do bem". Nem do bem, nem do mal. Um partido político e só. Nunca para ser visto como um principe encantado de um conto

 de fadas.

Ao contrário do que se pensa, só por que elegemos um programa de governo não significa que somos, nem ingenuos e nem coniventes com a corrupção.

Também não vem ao caso se já era assim, quem inventou e o que houve em governos anteriores.

O que importa é que o sistema amadureça, que essa realidade de responsabilização se institucionalize e que o sistema democrático se fortaleça.

Parabéns ao Brasil por entrar nessa nova fase.
O que me incomoda não é a oposição, Eu gosto da oposição. Nem me incomoda o embate de ideias. Muito menos a luta pela alternancia do poder. Ou simplesmente pelo poder. Não me incomodam verdadeiramente as vertentes com as quais eu não concordo.

O que me chama a atenção negativamente é o esforço que é feito por uma camada da sociedade para desconstruir a imagem de um ex presidente que saiu do governo com menos de 10% de rejeição.

Vejo isso como uma tentativa desesperada de resignificar praticamente uma década da história do Brasil. Uma tentativa de convencer que foi golpe de ilusionismo a mágica que as classes populares viram acontecer em suas vidas.


Me pergunto frequentemente se existe alguém com alguma agenda clara para a oposição, porque do ponto de vista da comunicação e da capacidade de influenciar a opinião pública e impactar o jogo político essa estratégia tem sido um tiro no pé.

Melhor seria que a oposição aceitasse a popularidade do sapo barbudo como custo afundado e partisse pra frente. Buscasse outras formas de aparecer e parecer uma boa opção daqui em diante.

segunda-feira, outubro 29, 2012

Ainda sobre o mensalão?


Por que o povão não percebeu que o PT é o partido mais corrupto que existe no mundo inteiro como ficou provado e comprovado com a condenação dos arautos da desgraça nacional em forma de partidários dessa horrenda organização política?

A resposta os estrategistas da oposição saberiam. Isso se quando entrassem em um taxi não pegassem suas revistas Exame ou seu jornais para não ter que interagir com o motorista. Se conversassem com a caixa do supermercado, o garçom a cozinheira, faxineira, baba, porteiro, pedreiro ou qualquer um dos diferenciados.

Os Invisíveis, essa classe que foi alçada à classe média, sabem. Quer ver algumas resposta à questão do mensalão?

Você acha que foi o Lula que inventou esse negócio de corrupção? Já é podre a muito tempo, pelo menos agora que ele incomodou a coisa tá vindo à tona

Mas, quem recebeu é que é uó né. Eles é que ficaram com o dinheiro da gente” e o garçom me pergunta “quem foi mesmo que recebeu a dinheirama?”

Inda bem que pagaram, se não a gente ainda ia tá aí, sendo pobre”

Só tem ladrão mesmo, não faz diferença o partido não. Político é tudo ladrão"

"Pera aí! Mas agora a gente não é rico? Pôxa, antes deviam robar muito mais né"

E assim vai. Entre os erros e acertos das analises do povo ingnorante dá pra encontrar muita informação.  E é isso que a oposição ao PT ainda não percebeu. Se opor ao PT é se opor à políticas redistributivas, à justiça social, à auto estima nacional. A oposição é importantíssima pra saúde democrática, mas da forma que está ela se comportando o tiro está saindo pela culatra.


A resposta não está nas pesquisas dos analistas que são pagos para dizer o que os candidatos querem ouvir. Nem no desejo declarado de que a massa seja manobrada pelos formadores de opinião da oposição.
E dizem que o brasileiro não sabe votar, eu digo que o eleitor brasileiro é estremamente sofisticado e tem que começar a ser respeitado como tal.



terça-feira, outubro 16, 2012

Valores


E a conversa foi assim:

Sentados atrás de mim, um grupo de  três ou quatro futuros executivos. Todos vestidos com variações da mesma roupa, cabelos bem cortados e sorrisos alvos. Todos bonitos, bem articulados. Stella Artois long neck em cima da mesa, por que Botequim moderno ainda não vende Paulaner

-       Eu gosto de dinheiro!
-       HAHAHAHA Pois é. Eu também, cara. Gosto muito!
-       Isso aí! Tem que assumir, gosto mesmo é de dinheiro! HAHAHA

A partir daí desenvolveu-se um papo todo muito elaborado sobre como o país iria pra frente se as pessoas gostassem de dinheiro tanto quanto eles. Depois de uns vinte minutos entre tais declarações, risadas fáceis e escárnio aos pobres diabos que não trabalhavam o suficiente a conversa foi esmorecendo.

Acho até que demorou demais. A ode ao dinheiro me parece um pouco limitada. Limitada e até deselegante. Gostar de dinheiro? Eu gosto dos meus filhos, do meu marido, das amigas, amigos, família, da gata, da cachorra.

Gosto de escrever, dar aula, aparecer (gosto muito de aparecer). Chopp gelado no seu Edgar, música na praça no domingo de manhã. Conforto material, mental, emocional. Gosto de poupança, bonança e abundancia. Gosto de linho, de luxo, de moda, de joia, do Jóia, de comida sofisticada e vinho raro.

Gosto de viagens exuberantes, tratamentos luxuriantes, spa. Terno caro e caviar. Gravata italiana, Armani, Galliano e Paris. Gosto de sauna, seda, Versace. Mas dinheiro... é tão pobre gostar de dinheiro. Eu prefiro cartão.

A conversa esmoreceu. E como tinha de ser, continuou.

-       Aaahhhh, enfim é isso. E como vai a Verônica?
-       Tsc, a Verônica é uma vadia.
-       Puts, que houve cara, terminaram?
-       Ah, nem começou direito. Tô dizendo, vadia mesmo.
-       Liga não cara, mulher é tudo assim.
-       É tudo puta

E o filósofo completa:

-       Mulher gosta é de dinheiro

quinta-feira, julho 14, 2011

Um pouco mais do que o esperado

É uma delícia estar sendo Brasileira.

A um tempo eu venho acompanhando o caminhar do Brasil como poder crescente. Análises interessantes sobre sua atuação, algumas acadêmicas, outras nem tanto.

Venho observando que as questões tupiniquins vem ganhando um certo espaço na mídia internacional e que vão deixando de ser vistas como irrelevantes.

Muito misancene, muita gracinhas, algum receio e até alguns despeitos. Mas existia um fato. O Brasil estava entrando no cenário. E pra mim... A coisa tava dando certo.


Em fim... Ler exatamente seu argumentos no blog de um professor que você acompanha é uma sensação bem legal.

Não vou colocar o texto todo aí, mas vale a pena checar o post do David Rothkopf na Foreign Policy

Acknowledging the tectonic shift in U.S.-Brazil relations
Posted By David Rothkopf Tuesday, July 12, 2011


e checar também o relatório

terça-feira, maio 24, 2011

Justiça Fiscal

Quando falei que nenhum tema estava livre de aparecer por aqui estava falando sério. Hoje falarei sobre uma questão interessante com a qual me deparei essa semana. Vamos falar de economia política . Mais especificamente, vamos falar sobre Impostos, Externalidades e Sustentabilidade.

Eis que me deparo com a seguinte discussão: os impostos são cobrados de forma justa? A questão que se segue envolve os custos de vida em cidades com níveis diferentes de desenvolvimento e a implicação dessa diferença para o impacto do imposto de renda no poder de compra dos moradores. Deu pra entender? Bom, leia a coluna que vale a pena.

A conclusão do autor do blog Free Exchange da Economist é que em função dessa diferença quem vive em cidades mais caras, como recebem salários maiores pagam mais imposto do quem mora em cidades menores e ganha menos dinheiro. Entretanto como as coisas são mais caras o poder de compra de quem mora bem fica reduzido em relação ao poder de compra de quem mora em uma cidade mais barata. Claro que para o autor isso é injusto. Provavelmente ele mora em um apartamento caríssimo com seu carrinho do ano, janta nos restaurantes mais famosos e tudo que a vida nababesca de quem vive economiquês pode oferecer. Mas nunca dá para saber, pois os blogueiros da economist não tem nome...

Claro que isso gerou críticas e, Esse autor me sai com a fantástica frase de conclusão "we shouldn’t let rich people living in expensive cities get away with the claim that they’re somehow secretly not rich". Fantásto!

Mas a melhor resposta veio dentro da própria The Economist. Você deveria mesmo ler esse post em Democracy in America,

"Suppose I like to live simply, away from the hubub of the glamourous metropolis, but within convenient walking distance of discount retailers. And I love walking. And carrying groceries. Indeed, I like inexpensive leisure (public libraries play a key role here) much more than most things money can buy. So I happily get by on the relatively meagre income I earn selling knitted garden-hose cozies on Etsy. Do I pay for my "fair share" of the cost of the public goods I enjoy. No way. Not even close. My odd and modest desires defeat the tax man. You can't tax a yogi's bliss. Cheap preferences beat the system".

Bem legal.

Isso tudo me levou de volta a uma conversa que tive com um amigo sobre a função dos dos impostos. Tem gente que acredita que os impostos pagam pelos bens públicos que os governos (Esses monstros!) resolvem oferecer injustamente para quem não trabalha o suficiente para comprar-los por si só. Acredite, tem muita gente que pensa assim.

Mas vou levar essa conversa para outro ponto. Uma outra visão sobre os impostos é que eles servem para pagar pelas externalidades resultantes do nosso processo de vida. E olha que são muitas! Pensa bem... Na verdade, quanto mais conforto e mais dinheiro você movimenta, mais externalidades você gera.

Quem consome mais recursos? Quem gera mais lixo? Mais dano ambiental? Quem mora em uma cidade cara, com gostos extravagantes e gastos exorbitantes ou o yogi descrito acima? Nesse sentido a questão da justiça fiscal se torna um pouco mais nebulosa.
Por que nesse caso existe ainda mais argumento para que o imposto pago por essas pessoas que levam uma vida insustentável seja mesmo mais alto do que o imposto pago por aquelas pessoas que geram menos externalidades.

Esse é o ponto que eu gostaria de ver ser discutido e desenvolvido. Os impostos como um reflexo das externalidades geradas pelo estilo de vida de cada um. Por que, pra falar a verdade, o que eu tenho observado é que são exatamente as pessoas que mais geram externalidades que estão sempre reclamando de pagar impostos e tentado se esquivar deles...

sexta-feira, abril 29, 2011

Diplomacia Cultural

Muito Interessante. Ontem eu estava lendo sobre diplomacia cultural e passei algum tempo pensando sobre isso. Sobre as fontes de soft power e recursos de diplomacia cultural.

Paralelamente estava acompanhando o casamento mais especial da minha geração. Não por qualquer relação entre as coisas, mas por que casamento de princesa é algo irresistível para mim.

Pera aí (!)...

Me deparei com essa notícia que fala sobre o papel da família real para os ingleses e a possibilidade de uma república. Algo sobre esportes de campo ou unicórnios. Questionava se os ingleses viam os noivos como um casal da nobreza posh ou como um casal que vive cercado por animais silvestres e unicórnios. Hoje não vi o casamento pela televisão. Posso até gostar das princesas Disney, não as 7 da manhã.

Mas, claro, vi as fotos, li as colunas falando sobre o vestido, concordei com as observações sobre o visual de fantasia do casal, imaginei como todas as garotas agora estariam sonhando. Afinal... essa é uma história bem conto de fadas mesmo.

Pra falar a verdade, acho que é conto de fadas até de mais. Vamos dar uma olhada mais de perto?

Como anda a inglaterra? Não sei. Não estou lá. Mas uma coisa eu sei com certeza. Tem gente que anda falando em república. Isso pra mim é mudança de regime, um assunto muito sério nas relações internacionais. Dizem que gera instabilidade. Um horror! Também sei que as classes média e trabalhadora sentem um certo rancor da nobreza. Tudo isso já foi dito por aí.

Mas veja bem o que o casamento comunica:

Mobilidade social - é possível alguém da classe média casar com um príncipe
ainda sobram por lá alguns duques disponíveis para outras princesas escondidas nas classe não nobres.

Valorização do tipo da imagem inglesa - A Linda Kate é morena e elegante como a Branca de Neve e não loura e sexy como Hollywood doutrina.

A Grande Vingança - nada como o filho da Lady Di se casar com alguém como a Doce Kate para enterrar o ressentimento dos ingleses pelo que foi feito com ela pela família real.

Só faltaram os unicírnios

Se eu não acreditasse no amor verdadeiro eu iria até pensar que isso é um tipo de estratégia de marketing, de construção da imagem país. Algo deliberado... Afinal de contas um casamento de um príncipe é sempre uma questão política.

O que você acha?

terça-feira, novembro 24, 2009

Essa foi rápida!

Ontem à noite dei uma olhada nas notícias e logo de cara encontrei essa.

Ahmadinejad pede assento para o Brasil no CS da ONU


É certo que o pedido do Ahmadinejad não é suficiente, mas vamos somando todas as ações e apoios. Uma hora forma uma massa crítica e se colocar contra a demanda do Brasil de integrar o Conselho de Segurança se tornará politicamente custoso. Essa é segundo Burges a estratégia principal de inserção internacional do Brasil. Até agora consistente.

Veja bem que entre Israel e Palestinos também se forma a idéia que o Brasil é peça chave para se atingir a paz no OM.

Sobre a visita de Ahmadinejad ao brasil o NYT também se pronunciou por que o assunto está rendendo analises e mais análises. E nas palavras do Lula, publicadas no jornal “If Iran is an important actor in this discord, then it is important that someone sits with Iran, talks with Iran and tries to establish a balancing point, so that society returns to a certain normality in the Middle East”

Ou seja, a idéia é fazer uma ponte pacífica e relativamente neutra entre o ocidente e o oriente médio, capacidade que os Estados Unidos perdeu com a política do porrete que sempre.

Hoje o mundo é um mundo de soft power. Se hard power (poder militar) resolvesse bem as coisas o Oriente médio seria o lugar mais pacífico do mundo. Afinal, os EUA está atuando lá a bastante tempo.

Irã nuclear e a ação internacional do Brasil

Política, em âmbito nenhum, é sobre pessoas ou crenças. É única e exclusivamente
sobre interesses. Sei que nesta lista não estou falando nada de novo ou que
ninguém saiba. Aqui todo mundo leu no mínimo freaknomics.

Nesse sentido, não cabe nada como "diga-me com quem andas". Não cabe nada
pessoal.
Nunca vi ninguém dizendo que o Estados Unidos deveria cortar relações com Israel
por que estes não deixam os palestinos em paz e "constrangem" os direitos
humanos. Pelo menos nunca vi ninguém falando isso e sendo levado a sério.

Então é preciso entender as relações entre os países do ponto de vista dos
ganhos que cada um pode receber.

Vejam só alguns elementos que não são discutidos na imprensa.

O Irã está demandando liberdade para fazer pesquisas de enriquecimento de urânio
com fins energéticos. O que eles querem é poder enriquecer o urânio até o fim.
Tecnologia que precisa ser desenvolvida uma vez que quem detém não transfere. É
necessário espaço para P&D. Poder construir uma bomba atômica é um colateral da
P&D. Talvez, mas sem evidências empíricas só interpretativas, o objetivo final
seja poder construir a bomba.

Nos mantendo nas evidências empíricas, vamos a outro fato: Logo que o Collor
assumiu a presidência ele assinou um tratado de não proliferação de armas
atômicas. Esse tratado impede o Brasil de fazer pesquisas nessa área.

O Brasil ainda tinha cinco anos de prazo para assinar o tratado, mas o Collor
(na verdade o Itamaraty) quis assinar antes como prova da boa vontade com as
decisões multilaterais. Apesar de existirem várias críticas sobre essa posição
também existem muitas vantagens que foram atribuídas a esse tipo de
posicionamento.

Como resultado disso, hoje o Brasil enriquece o Urânio até um certo ponto,
exporta para o Canadá, e compra de volta do Canadá depois de enriquecido até o
final.

Não sei os valores atuais mas a uns dois anos atrás o Brasil vendia o kilo a 15
dólares e comprava o mesmo kilo a 1500. Não sou economista, mas não me parece um
bom negócio.

Lá na FGV uma vez perguntei para uma professora sobre isso. "Não se mete nisso
que senão vão achar que você é subversiva". Era uma brincadeira mas passou o
recado. Não era pro meu bico. OK, recolho-me a minha insignificância.

Bom, voltando ao posicionamento do Brasil com relação à demanda do Irã, e é aí
que entra minha análise, me parece uma boa idéia apoiar a liberdade para
pesquisar energia nuclear.
Do ponto de vista do direito ao desenvolvimento a demanda do Irã é legitima. Do
ponto de vista da democracia apoiar um país que quer se desenvolver é legitimo.

Do ponto de vista do interesse nacional se o Irã ganha o direito a pesquisar
sobre energia nuclear abre precedente para o Brasil demandar a mesma coisa, mas
sem ser bucha de canhão. E sinceramente, quais são os riscos que podem existir
em apoiar o Irã? Ideológicos? De opinião pública?

Me parece que os benefícios superam os riscos. Uma vez que a opinião pública é
absolutamente manipulável e a ideologia, bom, a ideologia é que nem droga:
Pode-se usá-la, mas o risco de ser usado por ela é enorme.

Amigos, um país não pode se dar ao luxo de ser usado pela ideologia.

É polítca, é jogo de poder, é um tabuleiro de xadrez. Não é high school (apesar
de se parecer um pouco com tal)