Política, em âmbito nenhum, é sobre pessoas ou crenças. É única e exclusivamente
sobre interesses. Sei que nesta lista não estou falando nada de novo ou que
ninguém saiba. Aqui todo mundo leu no mínimo freaknomics.
Nesse sentido, não cabe nada como "diga-me com quem andas". Não cabe nada
pessoal.
Nunca vi ninguém dizendo que o Estados Unidos deveria cortar relações com Israel
por que estes não deixam os palestinos em paz e "constrangem" os direitos
humanos. Pelo menos nunca vi ninguém falando isso e sendo levado a sério.
Então é preciso entender as relações entre os países do ponto de vista dos
ganhos que cada um pode receber.
Vejam só alguns elementos que não são discutidos na imprensa.
O Irã está demandando liberdade para fazer pesquisas de enriquecimento de urânio
com fins energéticos. O que eles querem é poder enriquecer o urânio até o fim.
Tecnologia que precisa ser desenvolvida uma vez que quem detém não transfere. É
necessário espaço para P&D. Poder construir uma bomba atômica é um colateral da
P&D. Talvez, mas sem evidências empíricas só interpretativas, o objetivo final
seja poder construir a bomba.
Nos mantendo nas evidências empíricas, vamos a outro fato: Logo que o Collor
assumiu a presidência ele assinou um tratado de não proliferação de armas
atômicas. Esse tratado impede o Brasil de fazer pesquisas nessa área.
O Brasil ainda tinha cinco anos de prazo para assinar o tratado, mas o Collor
(na verdade o Itamaraty) quis assinar antes como prova da boa vontade com as
decisões multilaterais. Apesar de existirem várias críticas sobre essa posição
também existem muitas vantagens que foram atribuídas a esse tipo de
posicionamento.
Como resultado disso, hoje o Brasil enriquece o Urânio até um certo ponto,
exporta para o Canadá, e compra de volta do Canadá depois de enriquecido até o
final.
Não sei os valores atuais mas a uns dois anos atrás o Brasil vendia o kilo a 15
dólares e comprava o mesmo kilo a 1500. Não sou economista, mas não me parece um
bom negócio.
Lá na FGV uma vez perguntei para uma professora sobre isso. "Não se mete nisso
que senão vão achar que você é subversiva". Era uma brincadeira mas passou o
recado. Não era pro meu bico. OK, recolho-me a minha insignificância.
Bom, voltando ao posicionamento do Brasil com relação à demanda do Irã, e é aí
que entra minha análise, me parece uma boa idéia apoiar a liberdade para
pesquisar energia nuclear.
Do ponto de vista do direito ao desenvolvimento a demanda do Irã é legitima. Do
ponto de vista da democracia apoiar um país que quer se desenvolver é legitimo.
Do ponto de vista do interesse nacional se o Irã ganha o direito a pesquisar
sobre energia nuclear abre precedente para o Brasil demandar a mesma coisa, mas
sem ser bucha de canhão. E sinceramente, quais são os riscos que podem existir
em apoiar o Irã? Ideológicos? De opinião pública?
Me parece que os benefícios superam os riscos. Uma vez que a opinião pública é
absolutamente manipulável e a ideologia, bom, a ideologia é que nem droga:
Pode-se usá-la, mas o risco de ser usado por ela é enorme.
Amigos, um país não pode se dar ao luxo de ser usado pela ideologia.
É polítca, é jogo de poder, é um tabuleiro de xadrez. Não é high school (apesar
de se parecer um pouco com tal)
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