terça-feira, novembro 24, 2009

Essa foi rápida!

Ontem à noite dei uma olhada nas notícias e logo de cara encontrei essa.

Ahmadinejad pede assento para o Brasil no CS da ONU


É certo que o pedido do Ahmadinejad não é suficiente, mas vamos somando todas as ações e apoios. Uma hora forma uma massa crítica e se colocar contra a demanda do Brasil de integrar o Conselho de Segurança se tornará politicamente custoso. Essa é segundo Burges a estratégia principal de inserção internacional do Brasil. Até agora consistente.

Veja bem que entre Israel e Palestinos também se forma a idéia que o Brasil é peça chave para se atingir a paz no OM.

Sobre a visita de Ahmadinejad ao brasil o NYT também se pronunciou por que o assunto está rendendo analises e mais análises. E nas palavras do Lula, publicadas no jornal “If Iran is an important actor in this discord, then it is important that someone sits with Iran, talks with Iran and tries to establish a balancing point, so that society returns to a certain normality in the Middle East”

Ou seja, a idéia é fazer uma ponte pacífica e relativamente neutra entre o ocidente e o oriente médio, capacidade que os Estados Unidos perdeu com a política do porrete que sempre.

Hoje o mundo é um mundo de soft power. Se hard power (poder militar) resolvesse bem as coisas o Oriente médio seria o lugar mais pacífico do mundo. Afinal, os EUA está atuando lá a bastante tempo.

Irã nuclear e a ação internacional do Brasil

Política, em âmbito nenhum, é sobre pessoas ou crenças. É única e exclusivamente
sobre interesses. Sei que nesta lista não estou falando nada de novo ou que
ninguém saiba. Aqui todo mundo leu no mínimo freaknomics.

Nesse sentido, não cabe nada como "diga-me com quem andas". Não cabe nada
pessoal.
Nunca vi ninguém dizendo que o Estados Unidos deveria cortar relações com Israel
por que estes não deixam os palestinos em paz e "constrangem" os direitos
humanos. Pelo menos nunca vi ninguém falando isso e sendo levado a sério.

Então é preciso entender as relações entre os países do ponto de vista dos
ganhos que cada um pode receber.

Vejam só alguns elementos que não são discutidos na imprensa.

O Irã está demandando liberdade para fazer pesquisas de enriquecimento de urânio
com fins energéticos. O que eles querem é poder enriquecer o urânio até o fim.
Tecnologia que precisa ser desenvolvida uma vez que quem detém não transfere. É
necessário espaço para P&D. Poder construir uma bomba atômica é um colateral da
P&D. Talvez, mas sem evidências empíricas só interpretativas, o objetivo final
seja poder construir a bomba.

Nos mantendo nas evidências empíricas, vamos a outro fato: Logo que o Collor
assumiu a presidência ele assinou um tratado de não proliferação de armas
atômicas. Esse tratado impede o Brasil de fazer pesquisas nessa área.

O Brasil ainda tinha cinco anos de prazo para assinar o tratado, mas o Collor
(na verdade o Itamaraty) quis assinar antes como prova da boa vontade com as
decisões multilaterais. Apesar de existirem várias críticas sobre essa posição
também existem muitas vantagens que foram atribuídas a esse tipo de
posicionamento.

Como resultado disso, hoje o Brasil enriquece o Urânio até um certo ponto,
exporta para o Canadá, e compra de volta do Canadá depois de enriquecido até o
final.

Não sei os valores atuais mas a uns dois anos atrás o Brasil vendia o kilo a 15
dólares e comprava o mesmo kilo a 1500. Não sou economista, mas não me parece um
bom negócio.

Lá na FGV uma vez perguntei para uma professora sobre isso. "Não se mete nisso
que senão vão achar que você é subversiva". Era uma brincadeira mas passou o
recado. Não era pro meu bico. OK, recolho-me a minha insignificância.

Bom, voltando ao posicionamento do Brasil com relação à demanda do Irã, e é aí
que entra minha análise, me parece uma boa idéia apoiar a liberdade para
pesquisar energia nuclear.
Do ponto de vista do direito ao desenvolvimento a demanda do Irã é legitima. Do
ponto de vista da democracia apoiar um país que quer se desenvolver é legitimo.

Do ponto de vista do interesse nacional se o Irã ganha o direito a pesquisar
sobre energia nuclear abre precedente para o Brasil demandar a mesma coisa, mas
sem ser bucha de canhão. E sinceramente, quais são os riscos que podem existir
em apoiar o Irã? Ideológicos? De opinião pública?

Me parece que os benefícios superam os riscos. Uma vez que a opinião pública é
absolutamente manipulável e a ideologia, bom, a ideologia é que nem droga:
Pode-se usá-la, mas o risco de ser usado por ela é enorme.

Amigos, um país não pode se dar ao luxo de ser usado pela ideologia.

É polítca, é jogo de poder, é um tabuleiro de xadrez. Não é high school (apesar
de se parecer um pouco com tal)

quarta-feira, novembro 11, 2009

Apagão!

Será que dessa vez também vão pedir para nós economizarmos àgua e energia?
Será que depois vão ter de novo a cara de pau de cobrar na conta de luz uma "sobretaxa", que de "taxa" não tinha nada.

18 estados sem luz e podia ser pior... enquanto Itaipu Binacional alimenta 20% do Brasil no Paraguai ela representa 90% da matriz energética.

Caem algumas torres lá longe (no Paraguai) por causa de um ventinho e apaga tudo? E a Mirian Leitão pergunta: "Quer dizer que somos reféns do clima?!"
bom,... isso é o que o pessoal daquele Protocolo de Quioto vem tentando explicar para Washington a algum tempo.

terça-feira, novembro 10, 2009

Classe média britânica tem roubado mercadorias para manter as aparências.*

* Clique no título para ler a matéria do TimesOnline


Vixi Maria!

Não consigo outra maneira de descrever meu assombro. Para virar notícia o aumento nos roubos foi significativo. Mas o que mais chamou minha atenção foram dois comentários :

Pelos produtos roubados é possível inferir a classe social do ladrão?
A resposta é: não individualmente, mas estatisticamente o perfil das mercadorias roubadas podem sim apontar para um setor da sociedade.

Isso por que cada produto, ou classe de produtos, está associado a um grupo de consumidores. Claro que alguns são mais gerais do que outros, mas o consumo é setorizado.

Assim, quando some um vidro de caviar da prateleira não se pode dizer que ele foi roubado por alguém da classe média. Poderia perfeitamente ser qualquer "marginal" que de repente ficou com vontade de provar aquilo que nunca tinha nem visto, só tinha ouvido falar. Mas se começa a sumir muitas latas de caviar e garrafas de proseco...

Pode ser possível, estatisticamente, inferir que é a classe média que está roubando. Sim, por que a classe média é a principal consumidora desses produtos.

O outro comentário descrevia uma situação onde as crianças de uma cidade roubaram uma loja que ia fechar e estavam vendendo a "mecaduria" por aí. E como ficam essas crianças que aprenderam que podem roubar sem sofrer consequências?

Taí um questionamento para o qual eu não tenho respostas. É verdade que não dá para imaginar que a crise não vai ter um impacto social a longo termo.

Mas uma coisa eu tenho certeza, é que os analistas de políticas públicas vão precisar pensar sobre isso.