E a conversa foi
assim:
Sentados atrás de mim,
um grupo de três ou quatro futuros
executivos. Todos vestidos com variações da mesma roupa, cabelos bem cortados e
sorrisos alvos. Todos bonitos, bem articulados. Stella Artois long neck em cima
da mesa, por que Botequim moderno ainda não vende Paulaner
-
Eu gosto
de dinheiro!
-
HAHAHAHA Pois
é. Eu também, cara. Gosto muito!
-
Isso aí!
Tem que assumir, gosto mesmo é de dinheiro! HAHAHA
A partir daí
desenvolveu-se um papo todo muito elaborado sobre como o país iria pra frente
se as pessoas gostassem de dinheiro tanto quanto eles. Depois de uns vinte
minutos entre tais declarações, risadas fáceis e escárnio aos pobres diabos que
não trabalhavam o suficiente a conversa foi esmorecendo.
Acho até que demorou
demais. A ode ao dinheiro me parece um pouco limitada. Limitada e até
deselegante. Gostar de dinheiro? Eu gosto dos meus filhos, do meu marido, das
amigas, amigos, família, da gata, da cachorra.
Gosto de escrever, dar
aula, aparecer (gosto muito de aparecer). Chopp gelado no seu Edgar, música na
praça no domingo de manhã. Conforto material, mental, emocional. Gosto de
poupança, bonança e abundancia. Gosto de linho, de luxo, de moda, de joia, do
Jóia, de comida sofisticada e vinho raro.
Gosto de viagens
exuberantes, tratamentos luxuriantes, spa. Terno caro e caviar. Gravata
italiana, Armani, Galliano e Paris. Gosto de sauna, seda, Versace. Mas
dinheiro... é tão pobre gostar de dinheiro. Eu prefiro cartão.
A conversa esmoreceu.
E como tinha de ser, continuou.
-
Aaahhhh,
enfim é isso. E como vai a Verônica?
-
Tsc, a
Verônica é uma vadia.
-
Puts, que
houve cara, terminaram?
-
Ah, nem
começou direito. Tô dizendo, vadia mesmo.
-
Liga não
cara, mulher é tudo assim.
-
É tudo
puta
E o filósofo completa:
-
Mulher gosta
é de dinheiro
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